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Mães, pais e filhos de santo de Pernambuco deram uma demonstração pública da riqueza cultural herdada dos ancestrais africanos na última terça-feira (3). Ao som dos cânticos aos orixás rumaram do Marco Zero do Recife em direção ao Pátio do Carmo, enchendo as ruas do Centro e beleza e axé, num ritual pacífico em nome da liberdade de culto.
Quem acompanhou o cortejo teve, mais uma vez, a comprovação que não há porque discriminar os adeptos das religiões de matriz africana (ou de qualquer outra denominação religiosa). A devoção daqueles homens, mulheres e crianças é simplesmente ao bem maior que temos na Terra, que é natureza. Que para eles é a maior manifestação de Olorún (Deus) no planeta.
E que mal há nos cultos de origem africana? A resposta é óbvia. Não há nada demais. O mal está em outras práticas, como segregar, discriminar, violar e repudiar os semelhantes em função de suas diferenças raciais, religiosas, culturais ou de qualquer outra natureza.
O recado dado por aqueles que participaram da 3ª Caminhada de Terreiros de Matriz Africana e Afrobrasileira foi o de que têm direito à diversidade. Porque são vítimas constantes de desrespeito e do preconceito calcado no racismo, que coloca em lugar de inferioridade todas as expressões ligadas à história e à cultura negra.
A participação de mais de seis mil pessoas no ato também deixou claro que a causa defendida pelas comunidades de terreiro tem apoio nos mais diferentes segmentos da sociedade. Numa demonstração de que sua caminhada, apesar de árdua, tem aberto novos caminhos e gerado debate.
Na caminhada, que abriu as comemorações do mês da Consciência Negra, os participantes colocaram temas importantes em debate, como a necessidade de punição para aqueles que cometem intolerância religiosa.
Também foi lembrado que é preciso encontrar mecanismos para se fazer cumprir as determinações da resolução 36/55 da Assembléia Geral da ONU, de 25 de novembro de 1981, em considerar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os acordos e os convênios internacionais de respeito e direito à diversidade. Para que a luta contra a intolerância religiosa seja colocada no âmbito da responsabilidade do Estado Brasileiro.
Somos livres quando sabemos compartilhar a liberdade com os nossos semelhantes. E não apenas a liberdade de ir e vir, mas de pensar, de agir e de professar as nossas crenças.
*Isaltino Nascimento (www.isaltinopt.com.br), deputado estadual pelo PT e líder do Governo na Assembleia Legislativa, escreve para o Blog todas às quartas-feiras.
Publicado em 04.11.2009 no Blog Instituto Maurício de Nassau
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